quinta-feira, 29 de abril de 2021

MAIOR NOME DO ATLETISMO DA GUINÉ-BISSAU HOJE QUEBRA PEDRAS PARA SOBREVIVER

Publicado por Roberto Leal As quinta-feira, 29 de abril de 2021  | Sem Comentarios

A atleta número 1 da Guiné Bissau 


Ela competiu na maratona do Campeonato Mundial de Atletismo em 2007, no Japão, mesmo sem terminar a prova e depois esteve nos 1.500 metros dos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, na China, terminando em 11º nas baterias e 33º no geral. Ela é Domingas Mbana Togna, 40 anos, a atleta mais medalhada do atletismo da Guiné-Bissau, mas que atualmente vive do trabalho doméstico e extração de pedra para sobreviver.

Ao lado de dezenas de medalhas e troféus que conquistou. Mora n’uma casa humilde de dois quartos e demais dependências, no Bairro Militar, no subúrbio de Bissau, Domingas Togna, a mulher mais medalhada do atletismo da Guiné-Bissau, país da África Ocidental, e é com visível orgulho e nostalgia, que ostenta as medalhas, troféus e diplomas conquistados ao longo de 20 anos de carreira, bem como seus passaportes que usou nas várias viagens que fez ao exterior para competir representando o seu país.
Sempre sendo observada atentamente pelos seus três filhos, onde com os quais compartilha a minúscula casa, Domingas espalha sobre a sua cama, os troféus que conquistou num passado glorioso de provas de atletismo na Guiné, Senegal, Moçambique, Argélia, Macau, China e Japão. Da lembrança do mundial na cidade japonesa de Osaka, Domingas guarda, com orgulho entre outros, uma matéria de um jornal guineense daquela época, em que se pode ler na matéria que ela não concluiu a prova por desistência.
A atleta originária de Nkome, nos arredores de Mansoa, no centro da Guiné-Bissau, disse que começou a correr “por gosto” em 1995, depois de ser selecionada na escola em Bissau, onde foi criada por uma tia, e essa tia não a queria na pratica daquele esporte. Para continuar a praticar o esporte que disse amar, Domingas teve que abandonar a casa da sua tia, aos 13 anos de idade, já que tinha como objetivo transformar-se “na Lurdes Mutola da Guiné-Bissau”. Cativando o sonho de imitar a atleta moçambicana, ela que venceu praticamente todas as provas guineense de atletismo em qualquer distância, nos finais dos anos 90 e na primeira metade dos anos 2000 na Guiné-Bissau.
Domingas, que não dava chances à concorrência feminina, até disputou provas com os rapazes, tal era a sua superioridade para com as atletas do mesmo sexo, lembrou. Ainda do passado, Domingas disse que “guarda muitas e boas recordações” de duas participações nos jogos desportivos da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em Moçambique e em Macau, na China.
A condição física atual de Domingas não engana sobre o seu passado de atleta de alta performance. Mas, com a morte do marido, em 2015, a antiga campeã guineense teve de deixar para trás o atletismo, para se dedicar a criação dos filhos e garantir o sustento da família. Desde então, divide-se entre o trabalho de empregada doméstica e a extração de pedras, em várias pedreiras nos arredores de Bissau. Quem chegar à pedreira de Ndame e entrar numa pequena cabana montada que lá se encontra, coberta de palha e plástico que serve de telhado, não vai acreditar que entre as mulheres que ali trabalham na extração de pedras, uma delas é uma antiga campeã do atletismo.
Domingas na Pedreira de Ndame
Domingas e outras mulheres quebram pedregulhos, transformando-os em cascalho para vender aos construtores, do nascer do dia ao pôr-do-sol. Em entrevista à rede de notícias Lusa, Domingas disse que a Guiné-Bissau só voltará a ter uma atleta da sua qualidade se valorizar a sua pessoa, por tudo o que representou para o atletismo feminino, o que, afirmou, podiam investir na sua formação como treinadora. “Quero transformar-me numa treinadora do atletismo, porque é algo que transporto dentro de mim, gostaria de transmitir os conhecimentos que adquiri para os jovens. Não gostaria de ficar e morrer com os meus conhecimentos só para mim. Gostaria que um dia se falasse de novos talentos como sendo pessoas preparadas por Domingas Mbana Togna”. É o meu maior sonho”, afirmou a veterana atleta.
Domingas já não tem a ambição de competir n’um mundial, mas acredita que ainda pode “correr e ganhar em pequenas distâncias” daí que sempre que pode faz corridas de manutenção física. E resigna-se a continuar a quebrar pedras, enquanto sonha com o reconhecimento e com o papel de treinadora. Esperando que um dia uma história de superação bata a sua porta.

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