terça-feira, 21 de abril de 2020

ANGOLÊS - DICIONÁRIO DE CALÃO ANGOLANO

Publicado por Roberto Leal As terça-feira, 21 de abril de 2020  | 1 Comentario



      Autor: Roberto Leal

         APRESENTAÇÃO

         *Blandine Klander


Cruzei-me com o cota Roberto Leal, a 21 de julho de 2014, na União dos Escritores Angolano. In Luanda-Angola, no lançamento do seu livro “C´alô & Crônicas feridas”, deu-me a seguinte dica, amigo as palavras têm forças de transformar as nossas vidas. De lá para cá tudo mudou. Foi assim que em 2015 nos juntamos na banda e organizamos uma Formação Básica em Criação Literária, com a UBESC - União Baiana de Escritores/Brasil em parceria com a  BIKS´ARTE, contando ainda com o apoio do IMEL - Instituto Médio de Económia de Luanda, foi bwe fixe trabalhar com o cota, aí estava um manancial pesquisador da cultura angolana, embasbacado pela música, dança, com o gingado das mboas, com a pulugunza da mamoite zungueira, com as mbaias dos taxístas, com a criatividade dos lotadores com o linguajar da tropa e com o piteu da banda (pincho de cabrité ou franguité). 

 

 Dar um papo recto sobre o Roberto Leal e o que o seu trabalho contribui  para o mundo é um prazer, provocador cultural, jornalista, escritor, editor, caçador de talento, transparente e honesto, cota de fácil acesso carismático, sua pilha artística é sem sombras de dúvidas um caso de inspiração. Pois é, aqui está uma pequena dica do realizador de sonhos. “Quem não lê pouco sabe, em nada oupina só ouviu dizer”. E agora nos prestigia com mais uma obra de sua autoria. Este Dicionário de Angolês. É aliás, sugestivo e demonstrativo da ambição de Roberto Leal... É-nos dado a ler um dicionário interessante de calão angolano, dialeto local talvez, a voz das bandas se quiser. Dizer que calão, não é um dialeto angolano, não é uma variante, não é língua  oficial de Angola, calão é gíria, uma linguagem criada por um grupo particular e posteriormente integrada no conhecimento geral humorístico, usado em situações informais de comunicação para dispersar quem não é da staff. Deduzo que o convite do zuca para fazer a apresentação do dicionário tem muito a ver com a profunda irmandade que tenho com ele, o camone tem sido uma grande inspiração, é uma porta aberta para os novos fazedores da arte da escrita.


A importância do dicionário está no armazenamento dessas informações que ficarão para o futuro da Literatura angolana, quiçá para o mundo. Ao introduzir essas dicas parabenizo Roberto Leal pela iniciativa e encorajamento, de valorizar o calão angolano. Um trabalho desta natureza não pode ser feito sem reconhecimento, sublinhando sempre a relêvancia na história para o povo angolano e afrikano de uma obra desta natureza, com colaboradores como o cantor uigense Nely Lucas, a estudante luandense Paulina Catari e foi me dado a honra de participar desse trabalho desde o início das pesquisas. Considero Roberto Leal um cidadão do mundo sem medo da life,  todavia, aquele que compulsa esse dicionário poderá fazê-lo sem diculo nenhum. Dicionário não trará apenas palavras como também espiritualidade afrikana sobretudo angolana, trará o linguajar da banda mais sublime na criatividade truta de Roberto Leal. O dicionário não só beneficiará o mangolé como também a malta visitante e qualquer pessoa que queira conhecer o calão que é falado in Angola.  

Aqui vemos uma linguagem fora do sculão ou da fau em que pessoas vijú ou tapadas poderão se encontrar e compartilhar a mesma ideia, no mbange, na nguelé, no sculão, na fau ou mesmo em qualquer banda da ngimbi ou do gueto.  


*Blandine Klander -  poeta, produtor de cinema, actor e Ativista Cultural, nascido em Luanda/Angola, estuda cinema e TV. Fundador da marca “Konceito 2020”, Vice-coordenador do Movimento Literário Kutanga Angola, colaborador da Revista Òmnira.  

 


A:
Aiuê - expressão de dor, de aflição, momento de tristeza.
Aí tem gato - aí tem rolo.
Afobado - com fome.

Agarrado - pão duro, diz do namorado que não dar dinheiro.
Aldrabar – enganar.
Aldrabão - enganador; pessoa que mente.
Aldrabona - enganadora.

Agarrado - pessoa que não gosta de dar dinheiro, que não gosta de colaborar; podendo ser chamado também de Camoelo.
Amarrotar o miúdo - bater no garoto.
Ao lume - ao fogo.
Apetecer – despertar interesse; agradar, cobiçar, pretender.

Arquiado - pessoa de pernas tortas; podendo ser chamado também de Cambaio.
Armado em carapau de corrida - aquele que se julga mais esperto que os outros. 

Arrefecer - esfriar.
Asparvo – tolo.
À sua cota - à sua mãe.
Aterrou - aterrissou.
Autocarro – ônibus.
Avariado -  estragado, danificado.
Azedou- ficou feio; deu errado.

B:
Babá ou Bongó - Soldado ou Polícia.
Baba de camelo - doce típico angolano.
Babulo – tem problema; tem confusão.

Baglo - comida.
Baica - telemóvel, telefone.
Baio - luta; baiar/lutar.
Balar - ato de lutar.
Baliza - limite.

Balo - luta.
Banda - bairro; comunidade; lugar.
Banga - vaidade.
Bangão - vaidoso; estiloso.

Bange - casa.
Banzelar - velar; apreciar.
Bassula - arte marcial angolana.
Bate-chapas - pejorativo para fotógrafa.
Baza - cai fora; sai.
Bazamos - saímos.
Bazar - eu vou bazar / eu vou sair.
Bazeza –   tolo; bobo; idiota.
Bazo – saio.
Beber umas birras – beber umas cervejas.
Bedelho - intrometer-se.

Bem haja - está numa boa.
Bengo - província de Angola.
Benguela - província angolana.
BI - bilhete de identidade, documento de identificação.
Bidon - garrafão plástico.
Bié - província de Angola.
Biólo - serviço oculto, vendas de artigos escondido.
Birra – cerveja.

Biscato - serviço rápido.
Bisno – fazer negócio.

Biva - casa.
Boaido – bêbado.
Boda – festa; convivio.
Boelos - ridículos, fora de moda, ultrapassados.
Boleia - carona, transporte gratuito no veículo de outra pessoa.
Bombo molhou- Se deu mal, deu errado.
Bonho - uma ofensa; repreensão; chamada de atenção.
Borrifado - não se interessar por algo.
Bosse - chefe; patrão.
Brada - amigo.
Brazuca- brasileiros que moram, em Angola.
Breda - pão.
Broa - erro; pão ou biscoito feito de farinha de milho.
Buba - telefone.
Bué ou bwê – muito.
Bué de coisas ou bwê de coisas - muitas coisas.
Buelo -  ridículo; fora de moda; ultrapassado.
Bufo- pessoa escuta conversa dos outros para espalhar, pessoas mandadas pelos politicos para combater inimigos.

Cabaz - cesta básica; cesta de natal.
Cabinda - província angolana.
Cabo Snoop – músico angolano.
Cacimbo - associado a inverno ou a nevoeiro. Dependendo da região.
Caenche - homem musculoso, forte, malhado.
Cabeça de ginguba - cabeça de amendoim.

Cabelo cru - cabelo natural.
Cabrité - churrascos feito na rua de carne de cabrito.
Cabuenha- peixe pequeno seco.
Caiu da mota- pessoa com VIH/SIDA.
Calão - gíria; língua falada por um determinado grupo.
Calema - agitação marítima; confrontar.
Calhar - ao acaso.
Calhau - pessoa com pouca capacidade.

Calina - calça.
Calitoco- moço bonito.
Calulú - prato típico da culinária angolana. Bem temperado, feito a base de quiabo e peixe.
Calundu - espírito de elevada hierarquia.
Camba - amigo.
Campônia - pejorativo para camponês.
Camba - amigo.

Camucado - um bocado, muito de alguma coisa.
Candonga – veículo de cor azul e branco, utilizado como táxi.
Candongueiro – taxista; pessoa que dirige táxi; motorista de transporte alternativo.
Canuco - pessoa de pouca idade, jovem do sexo masculino.
Canuca - garota; pessoa de pouca idade, jovem do sexo feminino..
Capixe - entendeu.

Capuca - puto sujo.
Carrinha – caminhonete.
Casa de banho - banheiro; sanitário, wc.

Casoile - casamento.
Catana - facão comprido e largo. Ferramenta usada pelos agricultores e adotada como arma durante o período colonial.
Caxicar - se dirigir a alguém, quando não se falam.
Caxico - criado.
Chalé - quarto.
Chapada - bofetada, tapa.
Chamou-me nomes - xingou-me; faltar com o respeito.
Chávenas - xícaras.

Cheio de pong - cheio de estilo.
Chibo – delator; o que denuncia.

Chulador - pedinte; pessoa que pede esmola.
Chular - se aproveitar do dinheiro de alguém.
Chupar - beber; lamber.

Coça - bom.
Coiso - denomina qualquer coisa.
Comando - controle remoto.
Comba - velório na casa do morto em que se come e bebe.
Compincha - cúmplice.
Composito –  espécie de catálogo com fotos; book de modelos e agências.

Comuna - comunidade, bairro.
Cona - vagina; buceta; genitália feminina.
Confusionista - confrontador.
Contentor - container.
Contributo - contribuição, colaboração.
Corno - traição; quando se é traido pelo conjugue. 
Foi corneado ou corneada- foi traido ou foi traida.
Corrupio - rodopiar, andar à volta de algo.
Coscuvilhar - bisbilhotar.
Cota – pessoa mais velha.
Coxear - mancar.

Cuando Cubango - província de Angola.
Cubar - morrer.
Cubico – pequeno cômodo.
Cubículo - dormitório.

Cubou - morreu. Fulano cubou, fulano morreu.
Cuca - cerveja mais popular de Angola.
Cuco - cunhado e cunhada.
Cuiar - bom ou boa. "Essa comida está cuiar/Essa comida está boa".
Cunene - província angolana.
Curibota  - fofoqueiro.
Curibotisse - fofoca.
Cuyuyu - muito bom.

D:
Damo - marido ou namorado
Dar cabo – destruir; dar fim.
Dar corda - avançar.
Dar graxa - enaltecer de modo exagerado ou falso
Dar tímpano - dar ouvidos.
Dar uma nega – negar uma coisa ou situação.

Dar volta - enrolar; desconversar; não querer ajudar. O mesmo que: dar barra.
De borla – de graça.
Deitou fora - jogou fora.
Desaustinado - desnorteado.
Desbobinar - falar com raiva segredos íntimos de uma pessoa.
Descalabro - desgraça; prejuízo; dano; ruína; derrota.
Desenrascate - resolva-se.
Despedimento – demissão.
Dipanda – independência.

Dikulo - problema ou confusão.
Disparate - um absurdo; fora da realidade.

Divo – nome da revista fictícia da novela Windeck.
Do país – prostituta; vagabunda; garota de programa.
Dos fardos - das feiras.
Dreda - que agrada ou tem qualidades positivas.

Dunta - motorista.
Dzumba malaica -  mau hálito; pode ser chamado de Kibuzu também.

Embrulhada - confusão.
Emproada - vaidosa.
Enervar – perder a calma; ficar irritado.
Engates – conquista, paquera.
Engonhar - demorar muito tempo a fazer algo.

Escadinha - degrau de escada.
Escusa - desculpa.
Esganado - esfomeado.

Esmirrar - gozar, o prazer do ato sexual.
Espera - manteiga, o mesmo que mamela.
Espezinhar – humilhar, desprezar.
Esquadra - delegacia de polícia.

Está me fofar - não me viste bem.
Está na lona - estar sem dinheiro, exausto, gasto, pobre, sem recurso.

Está n'uma - está bem.
Está tudo sobre rodas – está tudo bem; tudo a deslizar.
Está de rastos – está cansado.
Estafeta - entregador.
Estoque de baldas - estoque de fuga ao trabalho.
Expedita –  aquela que age de forma ágil; hábil; ativa, diligente; desembaraçada.

Fado - destino, saudade, determinar a sorte de
Falida - emprestado.
Fatigar - acabar contigo.
Fatiota - traje.
Fato completo – terno e gravata.

Fau - faculdade.
Ferrar - descansar. Pode ir ferrar, pode ir descansa.
Fezada – sorte.

Figas - amuletos.
Finória - mulher fina.
Fixe – legal, simpático, divertido, amigo.
Flipado - perder a serenidade de forma repentina.
Flipar - saltar, virar, muito zangado ou muito entusiasmado.
Fobado - esfomeado.
Fogareiro – objecto de ferro para cozinhar.

Fogo - tiro; lume.
Franguité - pedaços de frango assados na brasa, vende nas ruas.
Frigorífico - geladeira; geleira.
Fuba - farinha de milho; farinha de bombom.

Funji - massa cozida angolana de farinha de fuba.
Funjitos - massa cozida de fubá de mandioca ou de milho.

G:
Gabiru –   malandro; vígaro.
Gajos - rapazes.

Garimpar - traição.
Garina - mulher.
Gelado - sorvete.

Geleira - geladeira.
Gimola - pedir dinheiro ou bens de consumo nas ruas. No Brasil, pedir "Esmola".
Ginbaço - feitiço.
Gindungo - molho de pimenta caseira; picante.
Ginguba – amendoim.
Gira – bonita.

Gombelar - violar; estupro; sexo sem consentimento.
Grego - bandido, marginal.
Guarita - segurança.
Guimbi - local de origem; lugar onde nasceste.
Guita - dinheiro.

H: 
Huambo - província de Angola, antiga Nova Lisboa.
Huila - província angolana.

Inganazambe - Deus.
Ineré - energia.

J:
Jikulumessu - abrir os olhos/de olhos abertos.
Jarda - nádegas avantajadas; bunda grande.
Jardada - mulher de bunda grande.


Kifufutila - sobremesa angolana.
Kilape – significa contrair uma dívida. Comprar fiado e não pagar.

Kit - mulher que fica com qualquer um.
Kit das tropas - mulher de todos.
Kiwaya - puta.
Kizaka - Prato tipico da culinária angolana, feito a base da folha da mandioca.
Kota - irmão mais velho.
Kuanza Norte - província de Angola.
Kuanza Sul - província de Angola.
Kuduro – gênero musical e dança muito popular, de origem angolana.
Kudurista – quem dança Kuduro, ritmo típico de Angola.

Kunanga - desempregado.
Kumbu – dinheiro.

Kupapata - moto com carroceria.
Kuzu -  prisão, cadeia ou penitenciária
Kwanza ou Kuanza – moeda angolana.

Lambe-botas - puxa-saco; bajulador.
Lambisgoia – mulher mexeriqueira; intrometida.

Laminagem - desenhos feito com uma lâmina, no corte de cabelo.
Langa - congoleses que vivem em Angola.
Levantar - receber.

Liamba - maconha, cannabys sativa; conhecida também como "pica".
Licenciado em curibotisse - licenciado em fofoca.
Lidas de casa - afazeres domésticos.
Loiça - louça.

Luanda - capital de Angola.
Luando- esteira; objecto feito de pau de bambu para dormir.
Lunda Norte - província angolana.
Lunda Sul - província angolana.


Madié - rapaz.
Magalas – polícia; policiais.
Magoado - machucado

Magoga - sanduíche: pão, com frango, salada e maionese.
Maia - atrapalha.

Malanje - província de Angola.
Malta - pessoa.
Manceba - mulher jovem; amante; concubina

Manga de 10 - adolescentes que se prostituem.
Mangonheiro - preguiçoso.

Maka - problema.
Malaike – está mal.
Malembe-malembe – devagar  se chega ao longe.
Malucada – mulher que não tem juízo; louca; doida.

Malusco - maluco.
Mamã – mamãe.
Mambo – pode ser utilizado para exemplificar alguma coisa ou situação.
Mamoite - mãe.
Mana Madó – mulheres, que “gostam de aparecer”.

Mangolê - angolano.
Manjuco - pijama; roupa de dormir.
Maria homem- mulher com comportamento masculinizado; lésbica.
Maré - praia.
Massa – dinheiro.
Mata-bichos - desjejum

Matoso - que sobrevive as custa da mulher; gigolô.
Matumbo - ignorante.
Matumba - burra.
Mayuya - coisa que não presta, aquilo que não tem utilidade.
Mbaca - mulher que não engravida.
Mbaco - homem estéril, que não engravida a mulher.
Mbala - ultrapassagem de carro.
Mbangi - casa.
Mboa – mulher.

Mbora - vamos embora, vamos lá.
Melga – aquele que é chato ou inoportuno.

Memeiro - pessoa que cria entretenimento com imagens e escrita.
Memo - mesmo.
Mekie - o que é? ou qual é?
Meu Cadja - meu irmão; meu amigo.
Meu panco - meu admirador.
Meu sangue - meu irmão.
Meu Kota! Minha Kota! - Meu Velho! Minha Velha!
Mexericos - fofocas.
Micheiro - homem que vive de pequenos trabalhos; biscateiro.
Mimo - carinho.
Mimosa - meiga; carinhosa; super apegada.
Minete - sexo oral na mulher; chupada na vagina.
Minga- pessoa que não presta; elemento desprezivel.
Miúda – menina; garota.
Miúdo – menino; garoto.
Mixórdia - misturada.
Moamba - comida típica com galinha ou peixe e óleo de dendê.
Monangambé – carregadora.
Morada – endereço.
Morder meus calcanhares - pegar no meu pé.

Mormão - meu irmão.
Mota - moto.
Moxico – província angolana.
Muamba - ingrediente para culinária a base de massa de ginguba, massa de amendoim.

Mufete - comida típica da culinária angolana. Peixe grelhado na brasa, acompanhado de feijão de óleo de palma, acompanha mandioca assada, banana pão/banana da terra e batata doce. O peixe é coberto por um molho de cebola com tempero de vinagre.
Mujimbo - boato; fofoca.
Mussarela com fiambre - mussarela com presunto.
Musseque - bairros carentes da capital Luanda.
Muzongue - prato típico da culinária angolano.

Muzúbia - dama bonita e gostosa.


N:
Não tem macas - não há problemas.
Não tem dica - não tem problema; não tem de que.
Não vou maia - não vou atrapalhar.
Nas bandas - em qualquer país.
Nas calmas - tudo bem.
Nabi – profeta Hebreu.
Nabo – pessoa estúpida, desastrada, desajeitada.

Namibe - província de Angola.
Ndengue - pessoa de menos idade.
Ngana zambi - Deus.

Nguelé - igreja.
Nha - minha.
Nos teus mambos - nas tuas coisas.
Nossa Senhora da Muxima – Nossa Senhora da Conceição, 
santa de grande devoção in África.      
Nossa relação está de luto – o relacionamento está morrendo.
Numa - bom.

Pacóvia - pouco inteligente; ignorante; ingênua; simplória.
Pacóvio –  pessoa ignorante e pouco inteligente; ingênua.
Pagar um copo - pagar uma bebida.

Pah - êpa.
Paiado – aflito.
Panina- homssexual; gay, até mesmo travesti.
Panca - atração muito forte por algo ou alguém.

Papa - papai.
Papoite - pai.
Paragem – ponto de ônibus.
Parlapear - papear.
Partir o braço – extorquir, tirar vantagem.
Parvalhão - tolo; idiota; pouco inteligente.
Parvinho - tolinho.
Parvoíce - ato pouco inteligente; idiotice; estupidez; tolice.
Passadeira vermelha - tapete vermelho.
Pasta - massa.

Patar - comer.
Paxeco - homem sustentado pela mulher.
Pausa - ficar calmo.
Peiqui ou Peão - chapéu.
Pemba – ritual de Umbanda.
Pequeno almoço ou mato bicho - café da manhã.

Pica - pode ser uma injeção; pode ser maconha; essa palavra tem vários significado.
Piloló - pênis, ainda bilau ou pila.
Pincho - carne ou frango cortado em pedaços, bem temperado e com cebola, assada na brasa.
Pindérica - miserável.
Pipocar - bom.
Pirosa - cafona.

Piso - sapato, tênis.
Pissa - órgão sexual masculino; pênis.
Pitéu - comida.
Pompa - esplêndido.
Ponteiro - clitóris, pinguelo (órgão sexual feminino).
Por a pau – ter cuidado.

Porreiro - boa pessoa. Em comprimento ou concordância.
Postiços - cabelo artificial.
Pousar minhas coisas - guardar minhas coisas
Prenda - presente; é também um bairro muito conhecido da capital Luanda.

Prof - professor.
Propina - mensalidade; taxa.
Pula - branco.
Pulas - nome pejorativo para pessoa branca.

Punho - borrachas coloridas para prender cabelo.
Puto - garoto.


Q:
Quero quinar - quero comer.
Quibuto - muito; um monte de alguma coisa.
Quilumba - moça.
Quimbanda - curandeiro.
Quinguila - mulher que troca dinheiro na rua.
Quintetas salteadas - prato típico da culinária angolana.
Quitaba - pasta de ginguba.


Rapariga – moça, jovem, mulher nova.
Raspanete - bronca.
Reformar - aposentar.

Rijo - coisa boa; algo bom. Esta festa está rija; esse mambo é rijo.
Ruca - carro; automóvel; veiculo.


S:
Sculão - escola.
Salamaleque - saudação; a paz esteja convosco.
Salo - trabalho, serviço.
Salteadora - bandida.
Saluba - saudação pra Nanã, a mais velha das orixás.
Sem dar cavaco - sem dar resposta.
Sida - Aids Síndrome de Imunodeficiência Adquirida.
Sítio - endereço, lugar, casa, moradia.
Soba – autoridade tradicional.
Sumo – suco.
Swag - atitude, estilo, confiança em si mesmo.


Tá gato - está bonito.
Tabuleiro - bandeja.
Tambi - óbito; enterro.
Tarrachinha - dança tradicional de Angola.

Tepeico - televisão.
Tchila - curtir, curtição.
Tipo porreiro - pessoa legal.

Tirosa - vamos, podendo ainda ser "vamos sair voado".
Titaliju tatilambu - estão a falar mal de ti.
Totolar - se pancar, ou seja se bater com o dedo em algum objeto causando dor.
Trabuco - arma, chamado também de Ferro.
Trabucado - andar armado.
Tramado – prejudicado ou aflito.
Tramas - estraga.

Trovador - poeta recitador, declamador.
T-shirts - camisas, camisolas.
Tugas - portugueses.

Turo - moto, mota.
Tutu - feio ou feia.


Uige - província de Angola.
Umas botelhas - umas garrafas.

Vai dar bum - vai dar confusão.
Velhaca –  pessoa astuta, traiçoeira, fingida, 
manhosa para enganar.
Velho gingão - velho coxo.
Vengó - velha.
Vida mulata - boa vida.
Viste como - uma saudação. Serve para muitas ocasiões.
Vivenda - sobrado.
Vou te cair - vou ir.


Windeck - pessoa ambiciosa, aquela que não mede esforços para conseguir o que quer.
Wiwar - beber.
Wy - amigo; colega.

Xinguilar - entrar em transe; manifestar pelos espíritos. 
Xexento - seiscentos (600).


Y:
Yah - sim.
Yabará - puta; prostituta.

Zaire - província angolana.
Zuca -  gíria para brasileiro que mora no exterior.
Zuelar – falar.
Zunga - praça grande; feira; mercado popular.

Zungueira - vendedora ambulante.

*Roberto Leal é jornalista (DRT/BA 3992), escritor, poeta, repórter fotográfico, editor, ativista cultural, palestrante e pesquisador, nascido em Salvador/Bahia, in Brasil, a 29 de abril, no Bairro dos Alagados, hoje bairro do Uruguai. Autor de Cárcere de Poemas - 2000 e C'alô & outros poemas - 2012 ambos esgotados e C’alô & Crônicas Feridas – 2018/4ª Edição e Letras Pretas Cruas & Nuas – Poesias com Luta e Contos de amor - 2019 todos pela Ed. Òmnira/BA-Brasil. Foi colaborador em jornais como Bahia Hoje, A Tarde, Tribuna da Bahia e Correio; revistas e periódicos no Brasil e exterior; é editor da revista angolana de Literatura “Òmnira”, que na língua Yorubá quer dizer: Liberdade; organizador de centenas de coletâneas e antologias em poesia e conto, no Brasil e em Angola/África; tem mais de 600 trabalhos editados/publicados entre poesias, contos, crônicas e artigos, ao longo dos seus mais de 30 anos de atuação.

Ainda muito jovem. Em 1983, publicou seu primeiro poema no jornal A Defesa, de Santo Amaro da Purificação/BA; em 1995, inicia sua carreira na Comunicação/Jornalismo com a coluna Notas de Sampa, no Jornal Grande Salvador, onde escrevia as novidades culturais dos baianos & soteropolitanos em SP, onde morava na época; primeira publicação em livro Perfume da Raça. Ed. CEPA/SP-1996; estreou como contista na coletânea Bahia de Todos em Contos, Ed. Òmnira/BA-2003 Vol. II; publicou na coletânea poética Salvador 460 Anos de Poesia, Ed. Òmnira/BA-2009.  É verbete no Dicionário de Autores Baianos, SCT/BA, 2006, pág. 106; ex-diretor de Cultura e Relações Públicas do CEPA - Círculo de Estudo Pensamento e Ação, de 1983 a 1998; Personalidade Literária Brasileira – 2003, pela Poebrás/GO, Casa do Poeta Brasileiro;  é vice-presidente-fundador da UBESC - União Baiana de Escritores; membro da IWA – International Writers and Artist Association (USA) e membro correspondente da Academia de Letras do Brasil, Cadeira Nº 7. Entre as premiações, venceu o XII Concurso Nacional PoeArt de Literatura 2013, com a poesia revolucionária “Sede de Justiça”; recebeu em novembro de 2014 o título de “Embaixador da Literatura Brasileira” em Angola, pelo Movimento Viv’Arte do Uige e é também fundador do Movimento Literário Kutanga/Angola.

Como editor coordena anualmente o Prêmio Internacional de Literatura Professor Germano Machado, realizado pela UBESC e Editora Òmnira, que vem revelando novos valores literários, tendo abrangência internacional em língua portuguesa; é curador do ENEB - Encontro de Escritores Baianos; tem trabalhos publicados em livros em Angola, Moçambique, Portugal, Estados Unidos e França. Produtor cultural na área literária com eventos realizados no Brasil, in Angola e Cabo Verde; presta assessoria editorial e de imprensa a escritores, entidades e interessados em publicar seu livro. Como ativista cultural trabalha um intercâmbio com países de África de língua portuguesa, já tendo publicado escritores contemporâneos de África: Angola, Cabo Verde, Moçambique São Tomé e Príncipe e Guiné Bissau; e na Ásia: Timor Leste, na Europa: Portugal.

Roberto Leal já publicou também sob o pseudônimo de Beto Correia (1983 a 1990) em várias antologias e coletâneas quando do início da sua carreira literária, quando também publicou dois folhetos xerografados Poemas c/ Fome e Segredos, ambos extintos. Tem no prelo o romance histórico luso-ango-brasileiro Um Carma para Aisha. Site: www.fundacaoomnira.com.br ou e-mail: lealomnira@yahoo.com.br






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Um comentário:

  1. As províncias de Angola não são Calões nem gíria. E.g. Cabinda, Zaire, Moxico, etc...

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