quarta-feira, 13 de maio de 2020

UM APANHADO DA CULTURA DO POVO ‘MUCUBAL’ DE ANGOLA

Publicado por Roberto Leal As quarta-feira, 13 de maio de 2020  | Sem Comentarios

Mulher Mucubal
Hoje vou falar um pouco do povo Mucubal e sua Cultura, que também é conhecido como, Mugubale ou ainda Mucubale, são um subgrupo dos povos Hererós do Sul de Angola. Um povo semi-nômades, dependente da pecuária e da agricultura para a sobrevivência, e conseguindo subsistir com a pastorícia. Seu território está localizado no deserto da província de Namibe, delimitada no norte pelas montanhas da Serra da Chela e ao sul pelo rio Cunene, quase na fronteira com a Namíbia.
Os mucubais costumam usar pouca roupa, carregar facões ou lanças e são conhecidos por sua resistência, às vezes andando ou correndo 80 quilômetros em um dia. As suas aldeias tipicamente consistem em um grupo de cabanas dispostas em círculo. É um povo que ainda mantêm as suas tradições e as suas  línguas maternas (as conhecidas em Angola, como línguas nacionais). São de origem Bantu, falam línguas derivadas ou semelhantes ao Kimbundo ou Kikongo. Acreditam em Deus, que na sua religião tradicional é chamado de Kalunga ou Djyambi.

Um mucubal é considerado tanto mais rico e mais importante quanto maior for o número de cabeça de gado que possua. Pode, portanto afirmar-se, que o gado é para qualquer mucubal  a suprema expressão da sua riqueza. A criação de gado é a verdadeira base de sustento desta importante etnia angolana.

Homens da tribo Mucubal vendendo melancias na beira da estrada
Os mucubais vestem-se de forma muito rudimentar, muito semelhante à de outros povos africanos, do Sul de Angola. Andam semi-nus e cobrem as partes íntimas com peles e panos típicos. O seu armamento é normalmente formado por uma lança, um purrinho e uma catana que manejam habilmente. Eles são muito corajosos e resistentes, não hesitam em enfrentar predadores como o leão e como o leopardo, sempre que esses animais surgem como ameaça para o seu rebanho.

Os mucubais são praticantes da poligamia. Um homem da tribo Mucubal pode ter as mulheres que conseguir sustentar. À volta da sua cubata, edifica outras cubatas para as suas mulheres, uma para cada mulher e forma assim um clã que se relaciona em perfeita harmonia e sem conflitos conjugais. Os seus herdeiros são sempre escolhidos entre os seus sobrinhos, os filhos de uma sua irmã, porque tem a certeza e acreditar, que esses são os únicos, que são mesmo do seu sangue familiar. Trata-se de uma velha tradição que é aceita por unanimidade e respeitada por todas as suas mulheres, sem que isso acarrete em desentendimentos conjugais. As mulheres Mucubal, quando solteiras, andam nuas da cintura para cima, seios nus, apenas cobertos por colares; e nos pulsos elas carregam pulseiras untadas com esterco de boi, além de vestida por um pano amarrado à cintura, como se fosse uma saia; as casadas e mães, amarram os seios com tiras finas de couro, são uns fios resistentes feitos em couro, bem esticados até espalmarem os seios, comprimindo-os contra o corpo.

Mulheres da tribo Mucubal
Tal como a grande maioria dos povos africanos, os mucubais também praticam como tradição fortemente enraizada a circuncisão dos jovens. A cerimônia da circuncisão realiza-se com regularidade e constitui um evento de grande significado, por simbolizar a festa da iniciação dos jovens mucubais, uma espécie de passagem dos jovens para o estatuto de mancebos.
O sociólogo Gilberto Madeira em uma das suas palestras, afirmou que o povo Mucubal são grupos étnicos que até hoje continuam a preservar a sua cultura tradicional, resistindo à integração, à semelhança de outros grupos como os Hereros, Muimbas, Nguedelengo, Mumuila e Muhimba. O mesmo ainda fez saber, que não são os fatores da globalização, nem das seitas religiosas que podem mudar o comportamento cultural destes povos, pois o governo tem se empenhado com esforço, para que os mesmos continuem com as suas tradições, hábitos e costumes. É uma tarefa difícil, se não mesmo impossível, mudar os hábitos e costumes destes povos. Disse já ter registros de igrejas que tentarem evangelizar estes povos, mas até agora as suas tentativas não deram resultados, vistos serem povos com hábitos muito fortes e enraizados.

Fonte: ASCOM/Revista Òmnira & Roberto Leal
Fotos: Roberto Leal



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