terça-feira, 19 de maio de 2020

A TRIBO ‘MUÍLA’ É UMA DAS RARIDADES DE ANGOLA

Publicado por Roberto Leal As terça-feira, 19 de maio de 2020  | Sem Comentarios



Meninas Mumuilas foto: Roberto Leal
cultura angolana é por um lado uma propriedade das etnias que se constituíram no país há séculos, principalmente, povos como os: Ambundos, os Congos, os Chócues, os Ovambos e os Ovimbundos. Por outro lado, não se pode negar que Portugal esteve presente na região, a partir do século XVI, e foi essa presença que redundou em fortes influências e raízes culturais, a começar pela introdução da língua portuguesa e do cristianismo. No tão esperado processo de formação de uma sociedade abrangente e transparente em Angola, que continua até hoje, registram-se por tudo isso entretenimentos culturais muito diversificados, e que variam de região para região.

Carrego hoje aqui um apanhado da Cultura do povo Muila, que pertenceram a nação Nyaneka-Humbi, que se dividiram em dois reinos o da Huila e o do Humbi, os Muilas são da tribo das mulheres mumuílas, da província de Huíla, capital do Lubango, no Sul de Angola, se estendendo até o deserto do Namibe. Trata-se de uma das regiões mais áridas do mundo. Poucos as conhecem por foto, mas não sabe onde ficam situadas. Há poucos registros sobre a vida e a Cultura das mumuílas, mulheres vaidosas, mas o que se sabe é que como estética natural usam os seios à mostra, colares e tecidos bem coloridos, o que é muito normal in África, no âmbito geral, o uso das cores fortes. Segundo relatos de angolanos-africanos, essas mulheres são criadoras de gado e é deles que tiram sua fonte de renda, onde para além desse negócio, dentro da cidade, são muitas vezes conhecidas também por comercializar chás naturais, óleo de mupeke e ngundi para nutrir o cabelo (óleo fabricado por elas manualmente), um óleo escuro, com forte odor de queimado, que é extraído pelas mulheres adultas de um fruto de um arbusto típico da região (o mupeque) do Namibe, que é usado no tratamento do cabelo com também da pele. Além do óleo de mupeque, elas vendem raízes de plantas consideradas medicinais, maungo uma larva comestível, conhecida por Catato noutras regiões do país, peças de artesanato local, como talheres de madeira, azagaias com suas flechas e tantos outros artigos, muitos dos quais produzidos pelos homens da mesma etnia.
Jornalista Roberto Leal com garotos(as) do povo Muíla
O que para nós é estranho, é o fato de não tomarem banho como normalmente, para elas é normal o ritual do banho com leite de vaca e esterco, ingredientes que usam para passar nos cabelos para que fiquem com uma aparência exótica, o que para elas se resumem na conquista do seu homem. Com imponentes seios desnudos, colares e tecidos bem coloridos, assim se mostram as mulheres mumuílas, seja na sua tribo ou em plena metrópole. Outra curiosidade está relacionada às argolas que compõem suas indumentárias, vestes habituais. Esses acessórios são usados pelas mumuilas, porque tem a ver também com a relação conjugal delas. Na tribo Muíla é normal à prática da poligamia entre os membros da Comunidade. Assim como acontece na tribo Mucubal, o homem Muila, também pode ter quantas mulheres ele quiser. Porém, isso só é possível se ele provar que tem condições financeiras suficientes para manter suas esposas. E seu poder de riqueza é comprovado pelo tanto de gado que ele possuir. Mas tem que ser tudo que elas quiserem, precisa ser rico mesmo. Entre todas. A mais velha é a responsável administrativa da fortuna do marido e isso é o que justifica ela ter mais adereços no pescoço, nas pernas e nos pés. Os colares são como a aliança, sinônimo de comprometimento, as mumuilas casadas um colar de cordas bem coloridos, enquanto que as solteiras usam um colar sem cores. Se na sociedade em que vivemos, diferenciamos pela cor da aliança e qual mão a pessoa está usando, na aldeia mumuíla as mulheres são distinguidas se são casadas ou não, pelos adereços e adornos.
A autoridade máster da comunidade é chamada de Soba Grande. A figura dele é muito importante e respeitada na tribo. Ele é o líder espiritual e o prefeito do grupo, ele manda e desmanda, casa, descasa, autoriza apropriação de terras, etc. É o “responsável” pela comunidade.
Entre os angolanos, muitos desconhecem a sua real Cultura e principalmente a sua história e este povo é muitas vezes rejeitado pela sociedade, porque é tido como uma tribo com hábitos que não se coadunam com a vida em sociedades mais modernas. Em Luanda, estas mulheres despertam muitas atenções quando circulam pelas ruas. Muitos ainda reagem com estranheza, mas existe também aqueles que as elogie. Hoje em dia e como forma de adaptação às cidades, algumas mumuílas optam por  usar uma blusa/camisa e assim evitar comentários desagradáveis, com relação a sua semi-nudez.
Fonte: ASCOM/Revista Òmnira
Fotos: Roberto Leal & Vladimiro Walter

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