sábado, 5 de novembro de 2016

DEFICIENTES AFRICANOS PEDEM SOCORRO NO CAMPO DA ORTHOPROTESIA

Publicado por Roberto Leal As sábado, 5 de novembro de 2016  | Sem Comentarios



Dr. Kouma Kwami Aklotsoe
Deficientes físicos são presença entre as populações de todos os continentes, independente de raça, cor ou religião e em África não é diferente, só para que se tenha uma ideia, em Angola existem centenas deles, herança da guerra civil que assolou o país por longos anos até sua independência em 1975, são as vitimas dos campos minados que ainda existem pelo país; o que não é caso de Cabo Verde, país da Costa Ocidental. E é através da Associação Caboverdiana de Deficientes e CENORF – Centro Nacional de Ortopedia e Reabilitação Funcional (cenorf@sapo.cv) que procuram recuperar cidadãos deficientes de membros inferiores e dentre outras formas de deficiências, que fazendo um trabalho social de recuperação desses deficientes para o enfrentamento diário da sobrevivência, da elevação da autoestima, sejam eles portadores de deficiência de nascença ou acidentados.

Lá se oferecem a esses cidadãos acompanhamento psicológico, de apoio fisioterápico, como também a entidade mantem um centro de fabricação de prótese de membros inferiores, a preço mais accessível que o praticado pelo mercado internacional, em especial o mercado europeu ou latino americano, onde a entidade fazia à aquisição anterior a implantação do seu próprio Centro. A Associação Caboverdiana de Deficientes e o CENORF que está situado na localidade de Achada São Felipe, na Cidade de Praia, mantém hoje o seu próprio Centro de fabricação de próteses que se encontra sobre a coordenação do Dr. Kouma Kwami Aklotsoe (kouma63@hotmail.fr), médico orthoprotesista – formado na Alemanha e que vem da ENAM – Ecole National des Auxiliaire Medicaux, do Depmt Orthoprotesiste da Université Lomé, na Republica Democrática do Togo.

Protese de fabricação do CENORF
O Dr. Kouma chega para um período de seis meses de trabalho, contribuindo para o desenvolvimento cientifico da orthoprotesia; período esse que a instituição possa pagar pelos seus serviços; como também o centro conta com a fisioterapeuta Drª. Dalva Correia que presta serviço de forma também remunerada, através de uma dinâmica de recuperação de recentes implantados, que tem como iniciativa ativar os movimentos após a colocação de membros postiços, na pratica de exercícios e treinamentos nas mais diversas modalidades da fisioterapia; a instituição atualmente se encontra na dependência da contratação de um psicólogo, aquele profissional que trabalhe a autoestima dos cidadãos recentemente admitidos ao tratamento e que procuram pelos serviços da instituição por não terem condições de assim faze-lo de forma independente, “aqui trabalhamos com crianças e adultos sem distinção, visamos a recuperação daqueles que realmente querem voltar a se movimentarem, mesmo diante das suas reais limitações” afirmou a Drª. Dalva Correia.

A Associação Caboverdiana de Deficientes possui uma central de fabricação de velas aromáticas dentro das suas dependências, denominada de “Projeto Lumiarte” que é composto por um corpo de voluntários cadeirantes que fazem um serviço de fabricação, que com a venda da sua produção tenha uma renda para ajudar na manutenção da receita da instituição que vive orçada em quinze milhões de escudos cabo-verdianos anuais e que no momento só conta com a ajuda do governo que lhe oferece subsidio de apenas três milhões e oitocentos mil escudos cabo-verdianos anuais, parte desse dinheiro é para compra de matéria prima para a fabricação de próteses e a outra parte para a remuneração de profissionais, tendo a entidade um déficit muito grande para que continue com o seu trabalho; o INPS – Instituto Nacional da Seguridade Social e a Companhia Garantia de Seguros, estudam a possibilidade de entrar com uma ajuda anual para que a entidade não feche as suas portas e aumente a ajuda humanitária que oferece ao povo cabo-verdiano.
Velas aromaticas e decorativas do "Projeto Lumiarte"

O presidente da entidade, o Sr, António Pedro Melo, que também é deficiente e trabalha de posse de uma cadeira de rodas, não se entrega quando diz “esperamos ajuda também do povo brasileiro, de especialistas voluntários, precisamos de palestrantes e professores que possam vim a ter conosco e tragam suas experiências, precisamos de doações de livros, revistas e publicações que nos ensine a lidar com os avanços da orthoprotesia”. Outra pessoa importante para o desenvolvimento e manutenção da instituição é o Sr. Alberto Afonso, também deficiente, que usa muleta devido a sua deficiência de nascença, em um dos membros inferiores, e que trabalha como administrador voluntário gerindo as contas e arrecadação com as vendas das velas aromáticas fabricadas no próprio centro “precisamos de cadeiras de rodas, muletas, matéria prima para fabricação de velas e fôrmas para novos modelos e sabemos que no Brasil temos uma variedade muito grande de fôrmas e modelos de velas decorativas e de lá esperamos uma significativa contribuição” disse otimista Alberto Afonso. Contatos: +238 264 79 91 / +238 986 41 67 e-mail: betafonso26@yahoo.com.br

Fonte: ASCOM/Revista Òmnira

Fotos: Roberto Leal

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