domingo, 21 de julho de 2013

O magistrado que o trafico condenou a morte

Publicado por Roberto Leal As domingo, 21 de julho de 2013  | Sem Comentarios

O magistrado que honra o Judiciário brasileiro
Ele atualmente dorme em um colchonete no canto da sua sala no fórum da Comarca, sob a guarda de sete a dez agentes da Polícia Federal, fortemente armados. O juiz Odilon de Oliveira, 56, um juiz federal de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, cidade que faz fronteira com o Paraguai. É um juiz jurado de morte pelo crime organizado. Só se ausenta do seu local de trabalho quando estritamente necessário e fortemente escoltado. Foi o magistrado que mais combateu o crime organizado, condenando 114 traficantes, expedindo multas e ainda confiscando os seus bens. O juiz alega que como levou muitos criminosos para cadeia, tornou-se um preso dentro da sua própria liberdade: ”A única diferença é que tenho a chave da minha prisão.” 
Ele recebe as ameaças através de telefonemas, de cartas anônimas e recados vazados entre os próprios presos, Odilon de Oliveira soube que a sua cabeça estava bem cotada valendo um bom preço. “Os agentes descobriram planos para me matar, inicialmente com oferta de US$100 mil.” Segundo o jornal paraguaio Lá Nación a cotação pela morte do magistrado tinha valorizado no mercado local para US$ 300 mil. “Estou valorizado”, brinca. Motivo maior pelo qual ganhou um  carro blindado contra tiros de fuzis AR-15 e passou a andar escoltado.

Tudo começou em junho de 2011, quando assumiu a vara da cidade de Ponta Porã, ponto de entrada de drogas como cocaína e maconha, para distribuição em grande parte do Brasil. Nos últimos meses, devido à grandes baixas no crime organizado local quando sua vara foi reconhecida como a que mais condenou traficantes no país. Oliveira confiscou 12 fazendas, num total de 12.832 hectares, 3 mansões, 3 apartamentos, 3 casas, dezenas de veículos e 3 aviões, todos comprados com dinheiro oriundos do trafico de drogas.
E buscando a preservação da sua família, mudou-se para o quartel do Exército, para logo depois se mudar para um hotel. Foi quando visando mais segurança, decidiu transformar o prédio do Fórum Federal em sua própria residência. “No hotel, a escolta chamava muito a atenção e dava despesa para a PF.” Esse episódio faz dele o único magistrado que vive confinado no Brasil. A sala de despachos do juiz federal Odilon Oliveira virou seu quarto de dormir. Em um armário de madeira, antes com um aglomerado de processos, hoje se podem encontrar lá, colchonetes, roupas de cama e objetos de uso pessoal. No banheiro privativo foi instalado um chuveiro.

Desistiu de trazer a família de Campo Grande para Ponta Porã, já temendo por seus familiares. O magistrado só vai para sua residência naquela cidade a cada 15 dias, acompanhado de um forte esquema de segurança. Teve que abrir mão dos restaurantes e recebe seu almoço todos os dias em marmita, comprada em locais e pontos estratégicos, porque também já foi ameaçado de morte por envenenamento. Entre um processo e outro, toma um suco ou come uma fruta. “Sozinho, não me arrisco a sair nem na calçada”, afirma.
Até quando necessita cortar o cabelo, veste colete à prova de bala e sai com a escolta. “Estou aqui há um ano e nem conheço a cidade.” Azar do tráfico que o juiz tenha de ficar recluso. Acostumado a deitar cedo e levantar de madrugada, ele preenche o tempo com trabalho. Do seu gabinete transformado em uma fortaleza, auxiliado por funcionários que trabalham até altas horas da noite, continua promulgando suas sentenças e fazendo a justiça acontecer.
A seu pedido já foram extraditados do Paraguai, doze criminosos, dentre eles o “rei da soja” no país vizinho, Odacir Antonio Dametto, como também o braço direito do traficante Fernandinho Beira-Mar, Sandro Mendonça do Nascimento. “As autoridades paraguaias passaram a colaborar porque está vendo os criminosos serem condenados.” afirma.

O magistrado que é juiz titular de uma vara na Comarca de Campo Grande, não almeja uma transferência e não se intimida com as ameaças, não se rende aos apelos de familiares, que quer vê-lo longe do perigo.  Acha “dever de ofício” enfrentar o narcotráfico e colocar através de condenação os narcotraficantes atrás das grades. “Quem traz mais danos à sociedade é o mega traficante. Não posso ignorar isso e prender só as mulas em troca de dormir tranqüilo e andar sem segurança”, pondera.


Texto: Roberto Leal
Foto: Divulgação Internet

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