domingo, 26 de junho de 2016

UNIVERSITÁRIOS REFUGIADOS TRABALHAM DE GARI EM SÃO PAULO

Publicado por Roberto Leal As domingo, 26 de junho de 2016  | Sem Comentarios

O psicologo Pedro Fula já foi matéria de capa em jornal
Entre tantos imigrantes e cada um com sua história para contar, entre eles estão engenheiros de diversas áreas, professores universitários e até um médico e um psicólogo estão trabalhando de gari, varrendo as ruas de São Paulo. A estimativa é de que pelo menos 50 dos 311 estrangeiros contratados pela Inova, empresa responsável pela limpeza pública de parte da cidade, têm diploma de ensino superior. Fugindo do caos político nos seus países de origem, como: Angola, que enfrenta uma das maiores crises econômicas da sua história e sofrendo com uma epidemia de febre amarela e tifoide, o Congo vive imerso em uma violenta guerra civil há 20 anos, com saldo de mais de seis milhões de mortos e a Nigéria, que enfrenta o terrorismo em um novo governo, todos na África, esses estrangeiros têm migrado para o Brasil em busca de uma vida melhor, sem grandes sofrimentos, mas, sabem que devem trabalhar que devem lutar e sonham em trazer para cá suas famílias. De todos eles, os congoleses são os mais prejudicados, muitos perderam o contato com parentes e familiares desde que chegaram ao Brasil, alguns já fazem dois anos.
Uma recente reviravolta política em vários países do continente africano provocou uma onda de imigração rumo ao Brasil. Foi assim que o engenheiro agrônomo congolês Reagan Mukimalio, 24, desembarcou no país, há nove meses e há quatro trabalha para a Inova. Em seu país, Mukimalio trabalhava para a FAO - Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, no comando de uma equipe que produzia adubo a partir de compostagem. Em São Paulo, o engenheiro passou a pegar no pesado, no programa de compostagem da Inova na Lapa (zona oeste), produzindo adubo a partir dos restos das 26 feiras do bairro. "No meu país sou perseguido político. Prefiro ser trabalhador braçal vivo aqui, do que um intelectual morto na África", diz Mukimalio. Ele diz que está mais feliz aqui. "Amo o Brasil, terra abençoada, aqui há paz. Aqui o Estado funciona, há garantias para o cidadão que não existem em meu país. Quero trazer minha família", contou o engenheiro. Ele tem mulher e um filho de 10 meses em Kinshasa, capital do Congo. "Preciso juntar 6.000 dólares para isso", disse Mukimalio, que ganha R$ 1.059 por mês. A Inova, empresa responsável pela limpeza urbana da região noroeste da cidade, abriu em maio de 2015 um programa para possibilitar a integração e recolocação de imigrantes e refugiados.
O psicólogo angolano Pedro dos Santos Fula, 38, tinha um consultório em Luanda, capital de Angola. Depois de uma disputa familiar por herança, diz que foi ameaçado por parentes e a única opção que teve foi fugir para o Brasil com o filho de seis anos, deixando a mulher e um filho de dois anos para trás. Atualmente, trabalha como Gari. "A situação política é caótica no meu país, a Justiça é precária e a polícia não garante a segurança dos cidadãos. Por isso tive que fugir para o Brasil", diz Fula. Formado na Universidade de Kinshasa, na capital da vizinha República Democrática do Congo, e fluente em quatro línguas, o psicólogo está no Brasil há quatro meses. "Já arrumei emprego, meu filho está na escola. Aqui tem segurança e estabilidade", afirma Fula, que pretende buscar a legalização do seu diploma, para que possa voltar a trabalhar como psicólogo.
Os congoleses Eric, Tom e Mfumu estão otimistas
Existem ainda mais 102 pessoas com formação técnica trabalhando na varrição das ruas da capital paulista. É o caso dos congoleses Eric Mulaza Kakodi, 30, topógrafo, Ton Ton Madeko, 29, mecânico, e Mfumu Kausokwa, 34, mecânico. Que se dizem perseguidos políticos, eles sonham voltar a exercer suas reais funções."Vocês não sabem a benção que é não ter guerra e ter democracia. Aqui, a presidente está saindo e ninguém morreu. No Congo, quando muda o governo logo matam a oposição", diz Kakodi.
Segundo a empresa, o projeto é uma parceria com o CATE - Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo e do CRAI - Centro de Referência e Acolhida para Imigrantes. Ela garante apoio jurídico, informações sobre regularização migratória, documentação, cursos de qualificação, atendimento gratuito com profissionais de psicologia e acesso aos serviços públicos municipais. Segundo o presidente da Inova, Reginaldo Bezerra, com a entrada dos estrangeiros houve um bom percentual de aumento na produtividade das equipes operacionais e diminuição na rotatividade. "São profissionais comprometidos, dedicados, disciplinados e que motivam os outros colaboradores a partir do exemplo de conduta profissional.” elogiou.

Texto: Fábio Pagotto & Roberto Leal 
Fotos: Divulgação (Jornal Agora/SP)





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